1.8.11

Invenção

Não era tempo de verão
Mas, e dai?
Não era tempo de inverno
E chovia

Era outra coisa
Ciclos internos
Música gospel
E catar inspirações
Em erros
Ao redor

Era busca
E sono que não acabava
Era um verbo no presente
E empolgação
Raros suspiros
E acreditar

Ficar na duvida
Entre o otimismo e o pessimismo
Era sim
Quando, talvez,
Respirar era quiçá
Vela sedenta de parafina
E fios a queimar

E era um gesto
Explosão
E querer acordar
Uma criança insone
Tomar café de noite e
Cachaça ao amanhecer
Outro ciclo
Contorcer-se, redobrar-se

Fotos de pés descalços
Acaso ou destino
Carne e transcendência
Luz branca no começo do túnel
Céu azul no fim
Horizonte

Alguém aí já inventou
A inédita máquina de congelar
Momentos perfeitos?

Um comentário:

Flávia Costa Neves Machado disse...

Muito lindo! Suas ultimas estrofes têm sido particularmente belas. Belos desfechos, abç, Flávia.