17.6.11

Vértice

Eu quero dizer uma coisa
E é só isto
Que eu vejo o mundo
De um jeito desconjuntado

E este conjunto
Depende de um apanhado
Que não dá prá fazer
Com outro modo de percepção:
É meu

E é por isto que
Ao ver tudo desta forma
O mundo verteu-se
Em único

E, apesar de não possuí-lo em nada
Vejo a mão que escreve e o (re)cria
Qual dentre nós é o outro que está no
Comando?

Vejo letras e frases e as faltas
E miro uma imensa disforme cordilheira
Quando se gira o texto para o lado esquerdo
Que é o lado do coração e do ridículo

(Vida em seus cardíacos abismos férteis)
Tento agarrar a palavra-ápice, culminante no ar
A mais doce e frágil dentre todas:
Ar

E também a frase mais baixa, sem verbos
E aí percebo, que, em todos os vértices
O que nos ajunta, permanentemente, é: ar
E respirar

O mundo é seu quando se o inspira
E deixa de sê-lo quando se o expulsa de si
Vértice: absurdos líquidos
Sublimados em matéria etérea

Pássaro rubro sobrevoa a cordilheira
Rosna imitando um cão: ígnea quimera
Um vulcão delirante empesteia
As tardes tranquilas do desencontro...

Por sermos sempre vértices
Por vezes, explodimos (ou implodimos)
Se fôssemos horizonte, vale, humus
Apenas respiraríamos...

Por isto, na vida e no texto,
As linhas, disfarçadamente invisíveis,
Aconchegantes, límpidas e plenas
Do silêncio

Que sucede o fim.

2 comentários:

Flávia Angelica disse...

Poxa, quis dizer só uma coisa mesmo?

Anônimo disse...

Sinto falta dos seus lindos textos!!!